Terça-feira, 12 de Abril de 2011

A escolha de Fernando Nobre

O PSD anunciou no domingo a escolha de Fernando Nobre para cabeça de lista do PSD pelo distrito de Lisboa e que iria propor este nome para futuro Presidente da Assembleia da República.

Esta escolha tem para mim três significados e que no fim de contas até acabam por ser contraditórios.

O primeiro é que é um sinal claro e muito positivo de que o PSD está disposto a ter uma maior abertura à sociedade civil e que isso resulta na entrada de pessoas externas ao partido nas listas para deputados. Este facto constitui uma boa notícia ainda para mais quando todos sabemos que não é possível independentes apresentarem candidaturas às eleições legislativas.

O segundo e menos bom é a pessoa escolhida. Tenho muita estima e respeito pelo trabalho profissional que Fernando Nobre realizou (ou realiza) como médico, empreendedor e membro da AMI mas, isso não me pode deixar afectar e dizer que não tem perfil político e muito menos para ser Presidente da AR. O PSD não acertou. Aliás, (espero estar enganado) cometeu dois tipos de erros, um em relação à escolha da pessoa que o eleitorado não vai premiar e outro que foi dizer que o iria propor a presidente da AR quando internamente (ou até mesmo no CDS no caso de coligação) haveriam outras pessoas mais preparadas e com traquejo para o lugar.

O terceiro vai para o coro de críticas que Fernando Nobre tem sentido e sofrido. Discordo de todos os que agora se sentem muito ofendidos pelo candidato da cidadania integrar listas à AR. Já se percebeu que não sou fã de Fernando Nobre mas tenho de dizer que foi corajoso e fez aquilo que se exige a quem quer lutar pelos cidadãos e dar o seu contributo ao pais: deu a cara e o corpo ao manifesto e aceitou integrar as listas para deputados. Pouco me interessava por que partido o fazia pois em legislativas a única forma de participar é integrando listas de partidos políticos (esta é a a verdade e o que está mal é a lei...).

A última palavra está nas mãos dos lisboetas e quiçá dos centristas mas até lá Fernando Nobre vai ter que ser um lutador pela opção que tomou e um resistente e isto não me parece que seja mais do que aquilo que o seu percurso de vida nos diz que fez... Que me surprenda a mim e aos portugueses!

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